Ariranha passa de “Vulnerável” para “Em Perigo” na lista oficial de espécies ameaçadas do Brasil
Nova classificação do Ministério do Meio Ambiente reconhece o aumento dos riscos enfrentados pela espécie e sua classificação muda de Vulnerável para Em Perigo (EN) na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. A mudança foi estabelecida pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 17 de junho.
A nova categoria representa um nível maior de ameaça e está relacionada à redução prevista da presença da espécie e à combinação de diferentes pressões sobre suas populações.
Ampla distribuição, mas sob pressão: principais ameaças à ariranha
A ariranha possui ampla distribuição histórica na América do Sul, ocorrendo desde a Argentina e Sul do Brasil até o norte da Venezuela. Mas atualmente ela só ocorre em 60% dessa área, e no Brasil, a espécie ainda pode ser encontrada na Amazônia, no Pantanal, é em uma pequena porção do Cerrado. A espécie é considerada extinta no Pampa e na Mata Atlântica.
A ariranha depende de rios, lagos, áreas alagáveis e suas margens para sobreviver. Por isso, a proteção desses ambientes é necessária para a manutenção de suas populações. Entre os principais fatores que ameaçam a espécie estão:
Perda e degradação de habitat: expansão urbana, hidrelétricas, mineração e agropecuária;
Alterações nos rios e no ciclo hidrológico: mudanças no regime das águas e degradação das margens;
Redução da disponibilidade de alimento: principalmente devido à sobrepesca;
Contaminação dos ambientes aquáticos: mercúrio, agrotóxicos e outros poluentes;
Caça ilegal e conflitos: abates relacionados a conflitos com pescadores e piscicultores;
Doenças: possível transmissão por animais domésticos;
Turismo mal planejado: perturbação de grupos nas áreas de visitação;
Incêndios e eventos climáticos extremos: secas prolongadas, incêndios e crise climática.
Historicamente, a caça para comercialização de peles foi uma das principais ameaças à ariranha, levando populações à beira da extinção. A degradação de habitat e o represamento de rios também contribuíram para esse cenário.
Atualmente, a combinação dessas pressões pode provocar um declínio de mais de 75% das populações da espécie entre 2012 e 2035, período equivalente a três gerações.
O que significa estar “Em Perigo”?
A categoria Em Perigo (EN) indica que a ariranha enfrenta um risco elevado de extinção na natureza. A mudança de Vulnerável (VU) para Em Perigo não significa que todas as populações estejam desaparecendo, mas que as evidências apontam para um aumento significativo do risco de extinção da espécie no país, indicando a necessidade de fortalecer ações de pesquisa, monitoramento e conservação.
O que o Projeto Ariranhas tem feito?
O Projeto Ariranhas, criado em 2019 como resultado de estudos e ações de conservação desenvolvidos há quase duas décadas no Pantanal brasileiro, integra ações de pesquisa científica, monitoramento populacional, desenvolvimento do turismo sustentável, educação ambiental e comunicação científica em prol da proteção da espécie e seu habitat.
O monitoramento de longo prazo permite acompanhar indivíduos e grupos, registrando nascimentos, mortes, composição e respostas das populações às mudanças ambientais. O Projeto realiza esforços sistemáticos principalmente no Pantanal, além de atuar na Amazônia, no Cerrado e na Bacia do Paraná. Esses dados auxiliam na identificação de ameaças e orientam estratégias de conservação.
A mudança da categoria da ariranha é um alerta sobre o futuro da espécie e de seus habitats, indicando a urgência em ampliar pesquisas, reduzir impactos e fortalecer as ações de conservação.
SAIBA MAIS: Portaria do MMA











