Ariranha é incluída nos Anexos I e II da Convenção de Espécies Migratórias
A ariranha, maior espécie de lontra do planeta, segue entre os mamíferos mais ameaçados da América do Sul. Embora ocorra em 10 países, enfrenta risco de extinção em todos eles. No Brasil, a situação se agravou: na última atualização da lista vermelha, o status passou de Vulnerável para Em Perigo.
Extremamente sensível à presença humana e à degradação dos rios, a espécie hoje se restringe a áreas de água limpa no Pantanal e na Amazônia, além de pequenos trechos das bacias do Tocantins e do Araguaia. Projeções indicam um declínio populacional de 50% nos próximos 25 anos, tendência que deve ser acelerada pela crise climática. Apesar da gravidade, especialistas apontam que a ariranha ainda recebe pouca atenção em políticas de conservação.
Nesta semana, durante a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção de Espécies Migratórias (CMS), realizada em Campo Grande, a espécie foi incluída oficialmente nos Anexos I e II do tratado internacional – um avanço considerado estratégico para ampliar a cooperação entre países.
Caroline Leuchtenberger, presidente do Projeto Ariranhas e também líder do Grupo de Especialistas em Lontras da IUCN/SSC, acompanhou as negociações antes e durante a COP15. Segundo ela, a inclusão da ariranha na CMS fortalecerá iniciativas conjuntas para proteger tanto a espécie quanto os ecossistemas dos quais depende. As próximas etapas incluem a elaboração de um plano conjunto de conservação, além de novos acordos internacionais voltados ao fortalecimento da proteção da espécie e de seus habitats.











